LUA
CHEIA DE SAGITÁRIO O
NONO TRABALHO DE HÉRCULES AFUGENTANDO
OS PÁSSAROS DO LAGO ESTINFAL
Mais uma vez o Herói recebeu a incumbência de retornar aos trabalhos.
Novas vibrações deveriam ser recebidas e outro desafio foi proposto.
O Lago Estinfal, outrora
localizado em bela e agradável região da Arcádia, fora infestado
por pássaros com bicos e penas de aço. Conta-se que pertenciam a
Ares, o Deus da Guerra, que os treinou para comer carne humana. A
tarefa era localizar, enfrentar e afugentar os animais. O Grande Iniciador deu-lhe
um conselho: sugeriu que utilizasse "a chama que brilha além do intelecto"
para achar o caminho e a solução. Hércules
dirigiu-se à Arcádia, onde, a noroeste, ficava um bosque obscuro.
Já nas imediações sentiu os odores do pântano no qual
se transformara o Lago. Mais próximo ouviu o grasnar dos pássaros,
apesar de não enxergá-los ainda. De repente conseguiu encontrá-los
- eram muitos, voavam em círculos e obscureciam a região, mesmo
sob o Sol do meio-dia. Descoberto
pelos pássaros, Hércules foi atacado pelos três maiores e
mais ferozes. Enfrentando-os com sua clava e escudo, feriu alguns e conseguiu
afasta-los momentaneamente. Tentou outras vezes, mas viu que a luta direta não
produziria resultado, tamanha era a quantidade das aves. Lembrou-se
do conselho de seu Mestre - este, certamente, se referia à intuição.
Aquietou-se e esperou receber a inspiração; depois de certo tempo,
a solução lhe surgiu. Dentre suas armas, o herói tinha dois
grandes címbalos de bronze, presentes de Palas Atena. Eles emitiam notas
tão dissonantes que incomodavam até os mortos. Quando
o pântano estava obscurecido pelo número de pássaros, Hércules,
utilizando toda sua força, fez soar os címbalos. Antes tomou o cuidado
de proteger os próprios ouvidos, já que nem mesmo ele seria capaz
de suportar os sons. Os monstros fugiram perturbados com o barulho assustador
das notas desafinadas, o Sol pode ser visto novamente. Hércules montou
em seu cavalo branco alado e continuou a disparar suas flechas. As aves que não
foram atingidas fugiram para a Ilha de Ares no Mar Negro. O mito dos argonautas
conta que eles tiveram que enfrentar esses monstros quando, em viagem, aportaram
na Ilha. O nono
trabalho foi concluído com êxito.
A
LIÇÃO NOTA
CHAVE: EU VEJO UMA META, EU ATINJO ESTA META E, ENTÃO, EU VEJO OUTRA
O mito desse trabalho
nos leva a identificar as aves com bicos, garras e penas de aço como nossos
pensamentos desordenados e destrutivos. Eles transformam o lago límpido
de nossa alma em um pântano fétido e pútrido. O fato das aves
serem integradas com partes de ferro significa que esses pensamentos são
muito poderosos. Eis
aqui a questão. Para o homem comum, ter pensamentos desagradáveis
ou destrutivos não causam maiores males, nem a si, nem ao próximo.
Para os aspirantes ou discípulos, entretanto, acostumados a fazer meditações,
apelos e visualizações, o perigo é muito grande, pois aprenderam
a criar, e os pensamentos se transformam em coisas. Uma simples frase, tipo "que
se dane", pode causar efeitos prejudiciais ao emissor, que se amargura, e
ao destinatário. Pelo choque de retorno, tudo volta à origem.
O pântano costuma
ser identificado com nossas emoções negativas - um pensamento negativo,
produto de nosso corpo mental, envenena nosso corpo emocional. Quando
o Herói relata que custou a chegar ao local exato do pântano onde
os pássaros estavam, apesar do odor negativo ser sentido de muito longe,
significa que necessitamos de muito trabalho interior para detectar nosso pântano,
origem e nascedouro dos pássaros destruidores, nossos pensamentos.
Outro aspecto é
o da sugestão de trabalharmos em silêncio sobre nós mesmos,
nossos objetivos, conquistas e fracassos. Sagitário não deseja despertar
compaixão contando problemas aos outros. Sua realeza o impede, também,
de ceder às críticas. Restam
dois pontos do mito a analisar. A utilização dos címbalos
e do cavalo alado. O segundo está ligado diretamente ao símbolo
do signo - homem e cavalo, primeiramente, se identificavam para, em seguida, o
animal ser domado. Significa haver necessidade de trabalho sério e esforço
para conseguir a façanha que não é simples como parece na
estória. Quanto
ao cavalo, ainda, recordemo-nos que foi um presente de Netuno, o Deus das Águas.
Elas estão diretamente relacionadas ao corpo emocional que confere a matéria
prima para que as formas mentais criadas surjam no mundo das aparências.
No que diz respeito
aos címbalos de bronze, este é o metal de Vênus e nos liga
aos nossos corpos emocionais e sentimentos. O presente de Palas Atena, nascida
diretamente da cabeça de Júpiter sem a interferência de Hera
ou de outras Deusas, significa que suas qualidades principais são mentais
e estão ligadas à coragem exercida com muita inteligência.
O presente, na Mitologia,
tem duas traduções. Primeiro, aquele que o ofertou - suas qualidades
se aliam à oferta. Segundo, o próprio tipo do presente, sua utilidade.
Assim, os címbalos,
ligados às qualidades de Palas Atena, mais o material de que eram feitos
e sua função, conectam mente e sentimentos, e reafirmam o simbolismo
do cavalo, presente de Netuno. Deve
haver esforço para obtenção da vitória. Pensamentos
não afugentados pela polarização da mente em outros assuntos,
devem sê-lo pela firme atividade interior, produzindo sons mais altos. Isso
só é obtido com a ajuda dos sentimentos.
Bibliografia:
Meditação nos Plenilúnios - Hércules Editora Ltda.
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