LUA
CHEIA DE CAPRICÓRNIO O
DÉCIMO TRABALHO DE HÉRCULES Hércules,
como nós, filho de Deus e do homem, após concluir sua façanha
em Sagitário, descansava e meditava. O
Mestre Iniciador acercou-se dele e perguntou-lhe se havia se dado conta do que
já realizara e de que concluíra uma etapa dos trabalhos. -
Sim, Mestre. Aprendi a manejar comigo mesmo; estou livre e pronto a servir, dedicando-me
somente à humanidade. Minha força não provém mais
de minhas mãos, meu corpo deve ser usado apenas como veículo de
relações. -
Agora, então, descerá ao reino dos mortos, pois está pronto
a enfrentar Cérbero, o cão de Hades. Outros já tentaram e
nada conseguiram. Teseo e Piritú lá estão e não podem
voltar, entretanto não sofrem dores físicas como Prometeu, encadeado
à disposição dos abutres. Uns e outros avaliaram mal suas
forças e enfrentaram tarefas para as quais ainda não estavam prontos.
Avaliar as próprias forças, seu ponto de evolução,
é muito difícil ... a vaidade é o último fascínio
que o Discípulo enfrenta. Antes de descer aos infernos, procure o Rei Hierofante
dos eleusis que convalidará seu grau. Hércules
entendeu que devia purificar-se de todo sangue que já havia derramado,
o que só poderia ser feito pelos que detinham as chaves dos Mistérios
da Iniciação. Atravessou o décimo Portal e procurou "Philios"
para adotá-lo, já que tinha que pertencer à comunidade dos
eleusis para ser aceito como Candidato. Philios
tomou-o como seu filho e apresentou-o a Eumolpo, o Hierofante que havia obtido
essa qualificação diretamente de Demetra, a fundadora e primeira
Iniciada nos ritos de purificação. Como
toda iniciação é envolvida por uma cerimônia, Hércules
foi colocado sobre um sarcófago e uma urna de mármore, sentado em
um trono com a cabeça coberta. O Hierofante realiza os atos sacros para
outorgar-lhe a pureza diante dos Deuses e dos homens. Atrás de si colocou-se
a própria Deusa, fundadora e patrona dos Mistérios. Após
a realização de certos atos, Hércules, já purificado,
veste-se com os trajes de iniciado e familiariza-se com a serpente da Deusa Demetra.
Uma iniciação
não pode ser exposta ou narrada aos profanos. Assim, ao estar pronto e
haver escalado o Monte, a cerimônia foi realizada. Só após
esse ato poderia descer aos Infernos sozinho, sem ofender seus Deuses. Começou
a descida - estava só como filho do homem, mas como filho de Deus não.
Achavam-se presentes as vibrações de Palas Atena e Hermes. Depois
de muita descida, chegou ao inferno e observou que era ladrilhado das boas intenções
não realizadas dos homens. Enéas, que o antecedera, já havia
notado o fato. A atmosfera era sufocante, e, a sua aproximação,
todas as almas dos mortos se afastavam assustadas. Meleago, entretanto, que havia
acabado de chegar lá, não fugiu. Ao perceber que o Herói
ainda estava no reino dos vivos, suplicou-lhe desposar sua irmã Djanira
que havia ficado na terra e necessitava de proteção. Feita a promessa,
Hércules, prosseguindo na sua busca, vislumbrou a Medusa com seus cabelos
de serpente. Desembainhou a espada pronto a enfrentá-la quando foi advertido
ser apenas uma miragem. Ante seu destemor, a imagem desvaneceu-se. Chegando
às margens do Rio Estige, defrontou-se com Cérbero. Como bom cão
de guarda sabia intuitivamente quais as almas que poderiam passar e as que deveria
afungentar. Entretanto Hércules lançou-se a ele com um rugido tão
ameaçador que o cachorro foi esconder-se, assustando, embaixo do trono
de Hades. Procurando
a Cérbero, chegou ao casal reinante - seu tio, irmão de Zeus, e
sua irmã, filha de Deus. -
Hades indagou o que Hércules queria em seus domínios. -
Ele respondeu que buscava dominar o cão e libertar Prometeu, Teseo e Piritú. -
Se vencê-lo somente com as suas mãos, o que não acredito,
poderá levar os dois primeiros, mas Piritú pertence a nós. O
Herói voltou a procurar Cérbero, irmão da Hidra de Lerna.
Ao avistá-lo com suas três cabeças, a cauda cheia de serpentes
e mais outras presas na cabeça começou a luta. O cão, impotente
frente a Hércules, deixou-se acorrentar. Como
havia obtido o direito à ação, Hércules libertou Prometeu
e Teseo. Quando tentou salvar o terceiro, entretanto, ouviu um barulho ensurdecedor
acompanhado de um forte tremor do solo. Lembrando-se da advertência de Hades,
afastou-se rapidamente, deixando Piritú. Com
o cachorro preso pela corrente, Hércules chega à Terra. Voltava
do reino dos mortos, e tornou a rever o sol. Estava profundamente modificado.
As pessoas que o viam com o cão fugiam apavoradas. As serpentes que rodeavam
seu corpo sibilavam mais assustadas que assustadoras. Olhando
o cão amedrontado e dominado, o Herói o deixa partir, impondo assim,
mais uma vez, sua superioridade. A façanha estava realizada. A
luz havia brilhado no mundo da obscuridade. A
LIÇÃO NOTA
CHAVE: EU ESTOU ENVOLVIDO NA LUZ SUPREMA, MAS APESAR DISSO DOU AS COSTAS A
ESSA LUZ
Mais uma vez vemos
o mesmo mito que é retratado em várias filosofias e religiões.
Jesus, o Cristo, desceu aos infernos onde permaneceu três dias. A Bíblia
não conta o que fez naquele Reino. Enéas desceu aos infernos. Orpheu
foi lá buscar sua Eurídes. Dante desceu acompanhado de Vergílio,
quando os caminhos que percorria foram barrados pelo Leão e pelo Tigre.
Sem dúvida
alguma, o Iniciado, após determinada etapa de seu caminho, deve sair dominador
daquilo que o Inferno representa. O descer e subir só é permitido
a uns poucos, não apenas raros, raríssimos. Segundo
a rica mitologia grega, Zeus, Posseidon e Hades, três dos filhos de Cronos
e Réia, dividiram o reino existente em três partes - coube a Zeus
tudo que existia acima do solo da terra até o Olympo; a Posseidon, os mares,
oceanos e abismos e a Hades, o reino subterrâneo. Reis e súditos
se respeitavam entre si. De alguma forma o Poder só era conquistado com
a descida ao Inferno. Zeus
passou à Astrologia romana como Júpiter e Hades, Plutão.
Júpiter, o grande doador e benéfico e Plutão, o grande maléfico,
porém o que destrói até as raízes para permitir a
reconstrução. A
décima façanha de Hércules, a mais diversificada e misteriosa,
apresenta tanta riqueza de interpretações que teme-se que nem todos
seus aspectos sejam apreendidos. É
importante esclarecer que as cerimônias físicas podem nos levar às
portas da Iniciação, mas a verdadeira é sempre interior,
pessoal, individual e isolada. Diz-se que Jesus passou por inúmeras. Alguns
alegam que o ritual da crucificação é uma forma deturpada
de contar sua morte para o mundo da matéria e entrada no da alma. Assim
dito, o Estudante se pergunta: como utilizar as energias de Capricórnio
(regência Saturno) se não pode se considerar um Iniciado? Quando
ele sabe que é não diz nada a ninguém, pois contar se constituiria
numa vaidade e a iniciação só acontece após sua superação.
Podemos concluir que
a Iniciação é uma cerimônia; obedece a um ritual; estão
presentes o iniciador, outros membros da equipe e o elemento maior da hierarquia
dos iniciado. É um segredo; retira parte do karma do indivíduo,
constituindo uma purificação e o iniciado troca de aura (roupas).
Entra cego e recebe a luz; é colocado acima do túmulo da matéria,
mas se assenta no trono que é uma pedra cúbica que a representa.
Aprende a manejar a energia criadora representada pela serpente de Demetra, com
a qual aprendeu a "brincar". Só
depois é que desce aos reinos inferiores e lá afugenta as almas.
Recebe a promessa de que encontrará sua contraparte (assume o compromisso
de desposar Djanira). O
fato de libertar mais uma vez Prometeu significa que lhe foi dada autorização
para usar o fogo dos Deuses, pois Hércules também pode ser o próprio
Prometeu. Libertando
Teseo (aprisionado por querer casar-se com Perséfone, a esposa do Rei)
significa ter resgatado o direito à vibração da Deusa.
Quanto a não
ter conseguido libertar Piritú, existem algumas versões. Uma delas
é que Teseo personificava a Sabedoria e Piritú, o Amor. Daí
não lhe ter sido permitido deixar o Inferno sem a vibração
do amor. O simbolismo
de Cérbero (devorador de homens - uma forma de referir-se à matéria)
significa que devemos identificá-lo com nossos próprios defeitos
(nossos três corpos inferiores, considerando-se o físico denso e
o etérico apenas um). Os
defeitos do corpo mental podem ser os reconhecidos por Eneas como as boas intenções
não realizadas. É o eterno amanhã daqueles que olham o serviço
e o relegam para depois, não se tornam criadores. Os
defeitos do corpo emocional são os ligados às emoções
negativas, e os do corpo físico, aqueles que procuram apenas a satisfação
dos sentidos nos centro abaixo do diafragma. Do
fato de se cortar uma cabeça de Cérbero e dar nascimento a muitas
outras, temos a forma de manifestação negativa de cada um dos nossos
corpos materiais. As serpentes grudadas no cão não são a
mesma da Deusa que Hércules aprendeu a manejar. Quanto à energia
das serpentes, a lição nos ensina que direcionada nos dá
calor, luz e força. Desobedecidas suas leis, a destruição.
O retorno de Cérbero
ao Inferno, consentido ou não por Hércules, significa que a ferramenta
deve retornar ao seu lugar após realizado o trabalho. Bibliografia:
Meditação nos Plenilúnios - Hércules Editora Ltda.
|