O não resolvido é o que se repete.
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Eunice de Almeida
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Constelação Familiar Sistêmica

A Terapia da Constelação Familiar é o resultado dos últimos trabalhos de Bert Hellinger e vem tendo um sucesso fenomenal, no mundo inteiro, pelo seu caráter inovador e revolucionário, com a descoberta de estruturas e padrões desconhecidos até então. A grande descoberta que propiciou esta nova visão de trabalho terapêutico foi a de que no mínimo cinqüenta por cento dos problemas trazidos pelas pessoas são originados por entrelaçamentos "sistêmicos" dentro da estrutura familiar. E por serem causas sistêmicas, muitas vezes são resistentes às terapias tradicionais.

O trabalho com as Constelações Familiares nos ajuda descobrir de que forma estamos enredados dentro do sistema energético familiar . Muitos dos sentimentos que nos atormentam são sentimentos alheios, adotados de outros membros da família e com o desenho vivo e sensorial de nossa " Constelação Familiar " percebemos a teia invisível em que estamos entrelaçados. Cada Constelação é como acender uma luz que, por um momento, banha o espaço que até então estava desconhecido na escuridão.

Com este trabalho, vamos compreender que todos os membros de uma família, vivos ou mortos, estão energeticamente presentes na estrutura familiar, influenciando profundamente nossos sentimentos e até mesmo nossa saúde.

A partir daí o trabalho é de reconciliação, redirecionando a energia de " amor " bloqueado dentro da pessoa. A preocupação aqui não é de procurar as causas dos problemas, mas sim dissolver enredos antigos, liberando a força dentro de cada um de nós para uma vida satisfatória e desimpedida, preenchendo o desejo natural de ligação e de equilíbrio segundo as Leis da " Ordem e do Amor ".
Constelações Familiares

Constelação Familiar é uma técnica terapêutica que põe em evidência o profundo poder de conexão que cada pessoa tem com sua família em uma ou várias gerações, e também com as pessoas com as quais têm um vínculo profundo de amor e lealdade.
As pendências dos sistemas familiares das gerações anteriores, as injustiças cometidas dentro do sistema familiar, bem como fora, através da violência social e política em todas as suas modalidades, podem inconscientemente afetar a vida de seus familiares com enfermidades inexplicáveis, depressões, suicídios, relações conflitivas, transtornos físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações duradouras com parceiros, comportamento conflitante com algum membro da família, etc.,
A personalidade das pessoas não é importante nesta dinâmica, mas os fatos sim. Todo destino trágico deve ser considerado. Exemplos:
Mortes trágicas: Assassinatos, suicídios, mortes prematuras, acidentes fatais, abortos, morte durante o parto, doença ou mortes após o parto, pais e mães que morrem e deixam filhos menores
Destinos trágicos: Abandonos, condenações, prisões, desonras, enganados (herança ou filhos ilegítimos), adoções, pessoas repudiadas, banidas ou excluídas, doenças graves, imigrantes

Ex amores: Cônjuges anteriores, noivos, namoros prolongados

No entanto, o amor que adoece é o mesmo que tem a sabedoria da solução quando se torna consciente. As lealdades invisíveis emergem durante a configuração das Constelações Familiares. Ao incluir as pessoas que foram excluídas, esquecidas, difamadas, injustiçadas, denegridas e não honradas no sistema, as que se foram para ceder espaço a outros e as que tiveram destinos trágicos. Até onde podem chegar estas lealdades invisíveis ou onde elas nascem? Esta é uma incógnita que normalmente se desvela na busca de soluções através das Constelações Familiares.

Como se trabalha?

Ao configurar uma Constelação Familiar, os participantes que servem como representantes dos membros de uma família expressam os sentimentos e sensações que refletem autenticamente a quem eles representam [sem os haver conhecidos previamente]. Expressam assim as complexas forças conflitivas que atuam nos sistemas humanos, bem como um caminho de solução que parecia inacessível ou inimaginável. A terapia das Constelações Familiares ajuda a fechar as pendências familiares, deixando cada pessoa com a sua própria responsabilidade e seu lugar de dignidade na família. Desta maneira se estabelecem “As Ordens do Amor” e se rompe com a cadeia de destinos trágicos.
Este método não requer que a família ou muitos membros da organização esteja presente, podendo-se trabalhar todo o sistema familiar, com um só membro presente. Trata-se de uma forma de trabalho individual que se realiza com um grupo de pessoas interessadas, que servem de representantes dos membros do sistema que se está trabalhando.

As diferentes consciências

Há três diferentes consciências, cada qual constitue um campo espiritual.

A primeira delas é a consciência pessoal. É estreita e tem o seu alcance limitado. Porque faz distinções entre o bom e o mau, reconhece o direito de alguns pertencerem e nega o de outros.

A segunda é a consciência coletiva ou consciência de clã. É mais ampla e representa os interesses daqueles que foram excluídos pela consciência pessoal. Por isso, está freqüentemente em conflito com a consciência pessoal. Contudo, a consciência coletiva também tem um limite, porque abrange somente os membros dos grupos que são governados por ela.

A terceira é a consciência espiritual. Ela supera as limitações das outras duas consciências. Limitações, estas, que surgem através da diferenciação entre bom e mau e da consideração de alguns como tendo o direito de pertencer e outros não.

A Consciência Pessoal


Vivenciamos essa estreita consciência como boa ou má consciência. Se temos boa consciência nos sentimos bem. Se temos má consciência nos sentimos mal. A boa e a má consciência são determinadas pelo modo como estamos vinculados ao grupo. Se estamos pensando, sentido e agindo em sintonia com as expectativas e as exigências das pessoas e grupos aos quais queremos pertencer temos boa consciência. Caso contrário, temos má consciência. Nos sentimos bem, porque nos sentimos. Nos sentimos mal, porque nos sentimos excluídos desse grupo.

A consciência pessoal vela para que fiquemos conectados com as pessoas ou grupo aos quais queremos pertencer. Essa consciência pessoal percebe se nossos pensamentos, desejos e ações colocam em perigo nossa ligação e nosso pertencimento a essas pessoas e grupos. Ao perceber que nos afastamos dessas pessoas e grupos (pois nossos pensamentos, atos e desejos não estão de acordo com as expectativas – moral – daquele grupo), nossa consciência pessoal reage com o sentimento de medo de perdermos nossa ligação com essas pessoas e grupos. Sentimos esse medo como má consciência.

Essa mesma consciência pessoal percebe se nossos pensamentos, desejos e ações nos movimentam em sintonia com as expectativas e exigência dessas pessoas e grupos. Então sentimo-nos pertencentes e temos a certeza de podermos pertencer. Sentimos esse sentimento de que temos assegurado nosso pertencimento, como boa consciência.

A consciência pessoal, portanto, nos vincula a pessoas e grupos que são importantes para o nosso bem-estar e nossa.

Porém é limitada, pois nos liga somente a determinadas pessoas e grupos e, simultaneamente, exclui outras pessoas e grupos.

Essa consciência também, em sua limitação, faz diferenciação entre bom e mau. O bom e o mau são diferenciações/julgamentos daquilo que assegura o nosso pertencer. O que vivenciamos como bom, através da sensação de pertencimento (logo, uma boa consciência) pode não ser realmente bom quando observado mais exatamente a certa distância; esse “bom” pode até ser ruim para outros. Logo, para a consciência pessoal o que é denominado bom é somente sentido, é sentido como algo bom, é o bem-estar, a segurança de pertencer.

O que vivenciamos, em nossa consciência pessoal, como mau é o terrível medo de que percamos o pertencimento e, ao mesmo tempo, também nosso direito de viver.

A diferenciação ente o bom e o mau – do ponto de vista da consciência pessoal – serve à sobrevivência do indivíduo no seu grupo, principalmente as crianças.

A Consciência Coletiva ou de Clã


Embora atue em nós, em nossos sentimentos, de forma relativamente inconsciente, esta é uma consciência muito mais forte e poderosa, no seu efeito, do que a consciência pessoal.

A consciência coletiva é uma consciência grupal. Tem em seu campo de visão a família e o grupo como um todo. Está a serviço da sobrevivência do grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados. Está a serviço da totalidade desse grupo e das ordens que asseguram a sua sobrevivência da melhor forma possível.

Quais são essas ordens?

A 1ª ordem a qual essa consciência serve é a Ordem do Direito ao Pertencimento.

A consciência coletiva quer proteger o direito de um membro do grupo ou clã de pertencer, ou restabelecer esse direito, se isso lhe foi negado. Ela protege todos da mesma forma, para isso não diferencia entre bom e mau, nem entre culpado e inocente. Ela é amoral, ou até mesmo imoral, se necessário à ordem.

Quando esse direito ao pertencimento é negado a um membro do clã, a consciência coletiva age reconduzindo-o ao grupo, de forma que outro membro dentro da família necessita representá-lo, sem que esteja consciente disso. Isso se mostra quando outro membro familiar assume o destino da pessoa excluída. Ele pensa como essa pessoa excluída, tem sentimentos semelhantes a ela, vive de forma semelhante, fica doente de forma semelhante e até mesmo morre de forma semelhante. Esse membro está a serviço da pessoa excluída e representa os seus direitos, porém não perde a si mesmo. Quando a pessoa excluída recupera o seu lugar, esse membro familiar se libera dessa pessoa e passa a ocupar o seu próprio lugar.

Esse emaranhamento se dá, porque é essa consciência coletiva que atua e deseja a representação. Ela atua como um instinto, um instinto grupal que quer somente uma coisa: salvar e restabelecer a totalidade, por isso é cega na escolha de seus meio. Em sua atuação, ela abrange igualmente seus membros familiares vivos e mortos. Esta consciência quer trazer de volta os mortos que foram excluídos, principalmente os mortos. Para esta consciência, o membro perde a sua vida através de sua morte, mas nunca o seu pertencimento.

A 2ª ordem a qual essa consciência coletiva serve é a Ordem de Precedência.

Essa ordem exprime que cada indivíduo de um grupo deve e precisa assumir o lugar que lhe pertence, de acordo com a sua idade. Então, aqueles que vieram antes, têm precedência (primazia, preferência, prioridade) em relação aos que vieram mais tarde. Cada um tem o seu próprio lugar que pertence somente a ele.

A 3ª ordem a qual essa consciência coletiva serve é o Equilíbrio entre o Dar e o Tomar.

Essa ordem revela-se como um dever, uma pressão, quando recebemos ou tomamos para nós algo, sem devolver com algo equivalente. Ao devolvermos o que recebemos nos liberamos desse dever (ou pressão) de forma que o dar e o tomar ficam equilibrados.

A consciência coletiva está a serviço do amor, do mesmo amor por todos os que fazem parte dessa família. Ela está a serviço do amor que abarca, que é sentido como dedicação ao outro, como ele é. Amor que é sentido como luto pela perda, sentido especialmente como dor por aquilo que, porventura, fizemos de mal para o outro. Sentido como o amor que alcança o outro, o reconcilia, o deixa em paz. O amor que libera o outro para que assuma o seu lugar e permaneça nele. A consciência coletiva quer equilibrar, reintroduzir algo que foi perdido e, dessa forma, trazer novamente a ordem a tudo e curar. Então, assim, essa consciência coletiva também encontra a paz.

A Consciência Espiritual


Essa consciência está a serviço do bem-estar de cada um. Se dedica igualmente a todos com benevolência e amor, não importando qual seja o seu destino. Este amor não conhece fronteiras, supera as diferenciações entre o melhor ou o pior, entre o bom e o mau. Esta consciência espiritual ou movimentos do espírito está dedicada, de forma igual, a cada um e todos em sua família e nos outros grupos dos quais faz parte.

Ela vela sobre este amor e entra em jogo quando nos desviamos desse grande amor.

A consciência espiritual ou movimentos do espírito unem o que antes estava separado. São sempre movimentos do amor. Por isso, supera os limites da consciência pessoal (que determina o que incluímos e excluímos), indo além do julgamento, concordando com tudo e com todos, do jeito que é. Por serem sempre movimentos do amor, a consciência espiritual também supera também os limites da consciência coletiva, na medida em que olha para todos e acolhe seus destinos, servindo à vida na sua totalidade.

Precisamos ver as diferentes consciências unidas umas às outras, porque todas estão a serviço de nossos relacionamentos. Elas trabalham juntas, uma após a outra, e se complementam, de forma que precisamos ver que um problema e suas soluções estão relacionadas a mais de uma consciência e, no final, a todas elas.