As
pendências dos sistemas familiares das gerações anteriores,
as injustiças cometidas dentro do sistema familiar, bem como fora, através
da violência social e política em todas as suas modalidades, podem
inconscientemente afetar a vida de seus familiares com enfermidades inexplicáveis,
depressões, suicídios, relações conflitivas, transtornos
físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações
duradouras com parceiros, comportamento conflitante com algum membro da família,
etc., A personalidade das pessoas não é importante nesta dinâmica,
mas os fatos sim. Todo destino trágico deve ser considerado. Exemplos:
Mortes trágicas: Assassinatos, suicídios, mortes prematuras,
acidentes fatais, abortos, morte durante o parto, doença ou mortes após
o parto, pais e mães que morrem e deixam filhos menores Destinos trágicos:
Abandonos, condenações, prisões, desonras, enganados (herança
ou filhos ilegítimos), adoções, pessoas repudiadas, banidas
ou excluídas, doenças graves, imigrantes
Ex amores:
Cônjuges anteriores, noivos, namoros prolongados
No entanto, o
amor que adoece é o mesmo que tem a sabedoria da solução
quando se torna consciente. As lealdades invisíveis emergem durante a configuração
das Constelações Familiares. Ao incluir as pessoas que foram excluídas,
esquecidas, difamadas, injustiçadas, denegridas e não honradas no
sistema, as que se foram para ceder espaço a outros e as que tiveram destinos
trágicos. Até onde podem chegar estas lealdades invisíveis
ou onde elas nascem? Esta é uma incógnita que normalmente se desvela
na busca de soluções através das Constelações
Familiares.
Como se trabalha?
Ao configurar uma Constelação Familiar, os participantes que servem
como representantes dos membros de uma família expressam os sentimentos
e sensações que refletem autenticamente a quem eles representam
[sem os haver conhecidos previamente]. Expressam assim as complexas forças
conflitivas que atuam nos sistemas humanos, bem como um caminho de solução
que parecia inacessível ou inimaginável. A terapia das Constelações
Familiares ajuda a fechar as pendências familiares, deixando cada pessoa
com a sua própria responsabilidade e seu lugar de dignidade na família.
Desta maneira se estabelecem “As Ordens do Amor” e se rompe com a
cadeia de destinos trágicos. Este método não requer
que a família ou muitos membros da organização esteja presente,
podendo-se trabalhar todo o sistema familiar, com um só membro presente.
Trata-se de uma forma de trabalho individual que se realiza com um grupo de pessoas
interessadas, que servem de representantes dos membros do sistema que se está
trabalhando.
As diferentes consciências
Há três diferentes consciências, cada qual constitue um
campo espiritual.
A primeira delas é a consciência pessoal.
É estreita e tem o seu alcance limitado. Porque faz distinções
entre o bom e o mau, reconhece o direito de alguns pertencerem e nega o de outros.
A segunda é a consciência coletiva ou consciência de clã.
É mais ampla e representa os interesses daqueles que foram excluídos
pela consciência pessoal. Por isso, está freqüentemente em conflito
com a consciência pessoal. Contudo, a consciência coletiva também
tem um limite, porque abrange somente os membros dos grupos que são governados
por ela.
A terceira é a consciência espiritual. Ela supera
as limitações das outras duas consciências. Limitações,
estas, que surgem através da diferenciação entre bom e mau
e da consideração de alguns como tendo o direito de pertencer e
outros não.
A Consciência Pessoal
Vivenciamos
essa estreita consciência como boa ou má consciência. Se temos
boa consciência nos sentimos bem. Se temos má consciência nos
sentimos mal. A boa e a má consciência são determinadas pelo
modo como estamos vinculados ao grupo. Se estamos pensando, sentido e agindo em
sintonia com as expectativas e as exigências das pessoas e grupos aos quais
queremos pertencer temos boa consciência. Caso contrário, temos má
consciência. Nos sentimos bem, porque nos sentimos. Nos sentimos mal, porque
nos sentimos excluídos desse grupo.
A consciência pessoal
vela para que fiquemos conectados com as pessoas ou grupo aos quais queremos pertencer.
Essa consciência pessoal percebe se nossos pensamentos, desejos e ações
colocam em perigo nossa ligação e nosso pertencimento a essas pessoas
e grupos. Ao perceber que nos afastamos dessas pessoas e grupos (pois nossos pensamentos,
atos e desejos não estão de acordo com as expectativas – moral
– daquele grupo), nossa consciência pessoal reage com o sentimento
de medo de perdermos nossa ligação com essas pessoas e grupos. Sentimos
esse medo como má consciência.
Essa mesma consciência
pessoal percebe se nossos pensamentos, desejos e ações nos movimentam
em sintonia com as expectativas e exigência dessas pessoas e grupos. Então
sentimo-nos pertencentes e temos a certeza de podermos pertencer. Sentimos esse
sentimento de que temos assegurado nosso pertencimento, como boa consciência.
A consciência pessoal, portanto, nos vincula a pessoas e grupos que são
importantes para o nosso bem-estar e nossa.
Porém é limitada,
pois nos liga somente a determinadas pessoas e grupos e, simultaneamente, exclui
outras pessoas e grupos.
Essa consciência também, em sua
limitação, faz diferenciação entre bom e mau. O bom
e o mau são diferenciações/julgamentos daquilo que assegura
o nosso pertencer. O que vivenciamos como bom, através da sensação
de pertencimento (logo, uma boa consciência) pode não ser realmente
bom quando observado mais exatamente a certa distância; esse “bom”
pode até ser ruim para outros. Logo, para a consciência pessoal o
que é denominado bom é somente sentido, é sentido como algo
bom, é o bem-estar, a segurança de pertencer.
O que vivenciamos,
em nossa consciência pessoal, como mau é o terrível medo de
que percamos o pertencimento e, ao mesmo tempo, também nosso direito de
viver.
A diferenciação ente o bom e o mau – do ponto
de vista da consciência pessoal – serve à sobrevivência
do indivíduo no seu grupo, principalmente as crianças.
A
Consciência Coletiva ou de Clã Embora atue
em nós, em nossos sentimentos, de forma relativamente inconsciente, esta
é uma consciência muito mais forte e poderosa, no seu efeito, do
que a consciência pessoal.
A consciência coletiva é
uma consciência grupal. Tem em seu campo de visão a família
e o grupo como um todo. Está a serviço da sobrevivência do
grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados. Está
a serviço da totalidade desse grupo e das ordens que asseguram a sua sobrevivência
da melhor forma possível.
Quais são essas ordens?
A 1ª ordem a qual essa consciência serve é a Ordem do Direito
ao Pertencimento.
A consciência coletiva quer proteger o direito
de um membro do grupo ou clã de pertencer, ou restabelecer esse direito,
se isso lhe foi negado. Ela protege todos da mesma forma, para isso não
diferencia entre bom e mau, nem entre culpado e inocente. Ela é amoral,
ou até mesmo imoral, se necessário à ordem.
Quando
esse direito ao pertencimento é negado a um membro do clã, a consciência
coletiva age reconduzindo-o ao grupo, de forma que outro membro dentro da família
necessita representá-lo, sem que esteja consciente disso. Isso se mostra
quando outro membro familiar assume o destino da pessoa excluída. Ele pensa
como essa pessoa excluída, tem sentimentos semelhantes a ela, vive de forma
semelhante, fica doente de forma semelhante e até mesmo morre de forma
semelhante. Esse membro está a serviço da pessoa excluída
e representa os seus direitos, porém não perde a si mesmo. Quando
a pessoa excluída recupera o seu lugar, esse membro familiar se libera
dessa pessoa e passa a ocupar o seu próprio lugar.
Esse emaranhamento
se dá, porque é essa consciência coletiva que atua e deseja
a representação. Ela atua como um instinto, um instinto grupal que
quer somente uma coisa: salvar e restabelecer a totalidade, por isso é
cega na escolha de seus meio. Em sua atuação, ela abrange igualmente
seus membros familiares vivos e mortos. Esta consciência quer trazer de
volta os mortos que foram excluídos, principalmente os mortos. Para esta
consciência, o membro perde a sua vida através de sua morte, mas
nunca o seu pertencimento.
A 2ª ordem a qual essa consciência
coletiva serve é a Ordem de Precedência.
Essa ordem exprime
que cada indivíduo de um grupo deve e precisa assumir o lugar que lhe pertence,
de acordo com a sua idade. Então, aqueles que vieram antes, têm precedência
(primazia, preferência, prioridade) em relação aos que vieram
mais tarde. Cada um tem o seu próprio lugar que pertence somente a ele.
A 3ª ordem a qual essa consciência coletiva serve é o Equilíbrio
entre o Dar e o Tomar.
Essa ordem revela-se como um dever, uma pressão,
quando recebemos ou tomamos para nós algo, sem devolver com algo equivalente.
Ao devolvermos o que recebemos nos liberamos desse dever (ou pressão) de
forma que o dar e o tomar ficam equilibrados.
A consciência coletiva
está a serviço do amor, do mesmo amor por todos os que fazem parte
dessa família. Ela está a serviço do amor que abarca, que
é sentido como dedicação ao outro, como ele é. Amor
que é sentido como luto pela perda, sentido especialmente como dor por
aquilo que, porventura, fizemos de mal para o outro. Sentido como o amor que alcança
o outro, o reconcilia, o deixa em paz. O amor que libera o outro para que assuma
o seu lugar e permaneça nele. A consciência coletiva quer equilibrar,
reintroduzir algo que foi perdido e, dessa forma, trazer novamente a ordem a tudo
e curar. Então, assim, essa consciência coletiva também encontra
a paz.
A Consciência Espiritual
Essa consciência está a serviço do bem-estar de cada
um. Se dedica igualmente a todos com benevolência e amor, não importando
qual seja o seu destino. Este amor não conhece fronteiras, supera as diferenciações
entre o melhor ou o pior, entre o bom e o mau. Esta consciência espiritual
ou movimentos do espírito está dedicada, de forma igual, a cada
um e todos em sua família e nos outros grupos dos quais faz parte.
Ela vela sobre este amor e entra em jogo quando nos desviamos desse grande amor.
A consciência espiritual ou movimentos do espírito unem o que antes
estava separado. São sempre movimentos do amor. Por isso, supera os limites
da consciência pessoal (que determina o que incluímos e excluímos),
indo além do julgamento, concordando com tudo e com todos, do jeito que
é. Por serem sempre movimentos do amor, a consciência espiritual
também supera também os limites da consciência coletiva, na
medida em que olha para todos e acolhe seus destinos, servindo à vida na
sua totalidade.
Precisamos ver as diferentes consciências unidas
umas às outras, porque todas estão a serviço de nossos relacionamentos.
Elas trabalham juntas, uma após a outra, e se complementam, de forma que
precisamos ver que um problema e suas soluções estão relacionadas
a mais de uma consciência e, no final, a todas elas.
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